sexta-feira, 5 de junho de 2015

DIA DO MEIO AMBIENTE

PEQUENA CRÔNICA DE 5 DE JUNHO
Mais uma vez comemoramos um Dia mundial do Meio Ambiente. Claro que é um dia de reflexão. De buscar a importância do lugar onde vivemos, de nossa casa. Momento de, novamente, reavaliar nossas atitudes, repensar e questionar, tentando reconstruir novas premissas para buscarmos melhores caminhos...
Mas, por que isso me dá a impressão de que esta data é tão parecida com o Natal, por exemplo? Quando, preenchidas de "espírito natalino" as pessoas dão o máximo para serem "boas". Também assemelha-se com o Dia das Mães, da Mulher, do Trabalho, do Índio e etcs. Pois estes são dias de todos os dias, como já cantava Djavan.
E é exatamente nestas comparações que nasce minha preocupação. Por parecer que é necessário um dia exclusivo para uma suposta reavaliação. Uma data que justifique a importância que ele tem para nós, para que semeemos de uma vez só todas as esperanças de mudança de anos e vidas inteiras. De muito mais tempo do que teríamos para dar, sentir ou perceber. E o rio continuará descendo para o mar, abarrotado das fezes que legamos.
Onde está a verdadeira falta de encaixe? Onde o discurso se transformou de tal maneira que não percebemos que meio, ambiente, lugar onde se mora e casa são absolutamente a mesma coisa? E como entrelaçar tudo novamente?
Parece que continuamos, como sociedade, como egrégora, a passar procurações para que os políticos, as empresas, as coordenações, alguém resolva como devem ser nossas relações com o meio em que vivemos. Nunca será verdadeiramente problema nosso também? Separar lixo, diminuir a duração do banho é pouco e é discurso cuspido pela mesma sociedade que te faz consumidor para te consumir. Daí não existe escapatória, a Oroborus continua comendo o próprio rabo, e não vou nem dizer de quem é.
Na verdade, o ambiente que precisa se transformar é o interno. Sabemos disso sabendo e sem saber. E isto, com certeza, se refletirá, primeiro individualmente, depois coletivamente, no mundo exterior. Um dia, cessaremos as mentiras e diremos a verdade a todos que amamos e aos outros que nos cercam. Um dia, compreenderemos os anseios, dúvidas, desejos, medos e necessidades dos outros pela ótica do que nos é importante. Um dia, seremos capazes de respeitar a vida em todas as suas formas, compreendendo que nada é exclusivo da humanidade, nem a inteligência, nem o sentido de família, nem a capacidade de sentir dor ou solidão. Um dia, a fome, o frio, a sede ou a dor dos outros nos será relevante a ponto de descruzarmos os braços e repartirmos, até por sabermos que é incabível o sentimento de posse se falta algo essencial para outro alguém. Um dia, respeitaremos todos os lugares em que vivemos, como sendo parte integrante destes, compreendendo que todos os lugares, juntos, são absolutamente o mesmo: nossa casa no cosmos.
Espero de esperança, pois se para uns esta é a última que morre, para outros ela é a substância da vida, do que nos faz prosseguir. e, se o papo parece zen, que seja, hippie, que seja. Não são rótulos que legitimam ou negam as verdades que buscamos.
Nestes dias, que chegarão, não precisarei escrever mais mensagens de 5 de junho, pois todos os dias serão Dias do Meio Ambiente. Ou de um Ambiente Inteiro.
Como realmente deveria ser.
Jean Marx

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