domingo, 17 de novembro de 2013

DIA DOS PAIS DIA DA ESCOLA

Mais uma vez gostaria de compartilhar algo vivenciado por minha família em nossa saga em busca de escola para nossa filha.

Após percorrer um longo caminho em busca de uma escola não muito cara e ao menos respeitosa com as preciosas características das crianças, acabamos por matricular nossa filha em uma escolinha particular que parecia promissora. Mas, é como diz o ditado, aplicado à gente, mas, ao que parece, aplicável à escolas também: " De longe todo mundo é normal". E mais uma vez iniciou-se a nefasta jornada.

Um mês após a rotina escolar eis que aspectos escondidos se revelam. Crianças com tablet na aula (sem nenhum direcionamento pedagógico), meninas que mal sabem ler, levando maquiagem e se "decorando", Monsters High para todos os lados, e uma professora que dizia que o desenho das crianças (essas com completos ou incompletos seis anos) eram feios. E etc, etc, etc.

Encerramos o tour escolar por aquela instituição com uma festa junina enlouquecedora, que de tão bagunçada e agitada que estava, até mesmo as crianças especiais, diagnosticadas com hiperatividade, estavam calmas.

Ufaaa, acabou!!

Resolvemos então seguir o conselho de alguns amigos educadores, politicamente ativos e com uma opinião interessante sobre educação para todos, convivência com a diversidade de classes sociais, culturais e outras. Sendo assim resolvemos tentar uma  escolinha pública próxima de nossa casa. Poderíamos não ter AQUEEELA educação, mas ao menos teríamos a convivência com as diferenças e estaríamos ensinando um valor tão importante quanto a leitura, RESPEITAR O PRÓXIMO, todo PRÓXIMO.

E lá se foi a primeira semana que antecedia o dia dos pais. Como de praxe, as crianças iriam fazer uma homenagem para os ditos "heróis".
Ao chegar, muitos trabalhos de pais vestidos de super-homens enchiam nossos olhos para todos os lados. Eis que chega a coordenadora, bem intencionada é claro, para ler um texto que ela havia encontrado na internet.
Muitos pensamentos me ocorreram, e um que dizia: Ai, lá vem mais uma daquelas poesias chatas que não serve de nada, ainda mais para pessoas tão humildes.
E, pelos ouvidos, levei uma rasteira:

"Em uma reunião de Pais, numa Escola da Periferia, a Diretora da escola ressaltava o apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-lhes, também, que se fizessem presentes o máximo de tempo possível. Ela entendia que, embora a maioria dos pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveriam achar um tempinho para se dedicar a entender as crianças.
Mas a diretora foi surpreendida quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana.
Quando ele saía para trabalhar, era muito cedo e o filho ainda estava dormindo. Quando ele voltava do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado.
Explicou, ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas ele contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites, assim que chegava em casa.
E, para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol que o cobria.
Isso acontecia, religiosamente, todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles.
A diretora ficou emocionada com aquela história singela e emocionante.
E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai era um dos melhores alunos da escola.
O fato nos faz refletir sobre as muitas maneiras de um pai ou uma mãe se fazerem presentes, de se comunicarem com o filho.
Aquele pai encontrou a sua, simples, mas eficiente. E o mais Importante é que o filho percebia, através do nó afetivo, o que o pai estava lhe dizendo.
Por vezes, nos importamos tanto com a forma de dizer as coisas e esquecemos o principal, que é a comunicação através dos sentimentos. Simples gestos como um beijo e um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele filho, muito mais que presentes ou desculpas vazias.
É válido que nos preocupemos com nossos filhos, mas é importante que eles saibam, que eles sintam isso. Para que haja a comunicação, é preciso que os filhos "ouçam" a linguagem do nosso coração, pois em matéria de afeto, os sentimentos sempre falam mais alto que as palavras.
É por essa razão que um beijo, revestido do mais puro afeto, cura a dor de cabeça, o arranhão no joelho, o ciúme do bebê que roubou o colo, o medo do escuro. A criança pode não entender o significado de muitas palavras, mas sabe registrar um gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas um nó. Um nó cheio de afeto e carinho.



E você... Já deu algum nó no lençol de seu filho, hoje?



Por Aline Froza

terça-feira, 4 de junho de 2013

ESCOLA DA VIDA

Que um dia...
A escola fosse o lugar que tanto precisássemos.
Que nos desse a formação correta para a realidade que enfrentaríamos no futuro, mas que nos deixasse enfrentá-lo apenas na hora que chegasse, deixando-nos ser criança e aproveitar nossa infância.
Nos ensinasse a ouvir muito, mas muito mais do que falar, e falar na hora correta a palavra boa, a palavra que cura e não a que fere.
Nos ensinasse a compartilhar e cooperar. E que os pés foram feitos para sentir o chão e correr em direção ao que nos cala o coração e não para pisar em cima dos outros, quaisquer outros.
Fosse a escola o lugar onde aprenderíamos sobre o respeito à tudo que existe, inclusive e principalmente às plantas, os bichos, as pedras, pois o respeito é mais difícil na diferença que na semelhança.
Lugar onde aprendêssemos a fazer tudo com prazer, até amarrar os cadarços de nossos sapatos, mesmo que não tenhamos sapatos, e queiramos andar descalços o tempo todo, pois todas as partes de nosso corpo e alma foram feitos para sentir o mundo.
Talvez ai...
Nem tivesse nome de Escola.
Chamaríamos, também, de VIDA.
E, formados nesta instituição, poderíamos ensinar a todos que vem depois.
Cumprindo enfim, a verdadeira missão que é única e de todos ao mesmo tempo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

IAKIREÇÁ A GUARDIÃ DAS FLORESTAS


E falando em transformação, recebemos a visita do  Projeto Aquário que se trata de uma série documental que será veiculada na TV CULTURA e que tem como tema tudo o que diz respeito ao ser humano e uma nova perspectiva de consciência individual e universal.

Nossos parceiros de ideais estiveram filmando uma de nossas aulas sobre educação ambiental no ensino formal, e sua importância em trazer esse novo olhar para nossas crianças do Novo Tempo.

Em breve nos vemos na telinha


Nossas sementes férteis


A atriz


Ahoooo


Preparando para o Grito



Entrevista com Jean Marx e os participantes da história logo atrás








quarta-feira, 3 de abril de 2013

DESESCOLARIZAÇÃO

E começou uma dura jornada que se arrastou por um longo tragicômico ano.
- Filha, está na hora de fazer suas tarefinhas. Hoje você aprendeu sobre as famílias de letras, então o que podemos formar tendo o "D" e o "A"?
Silêncio.
Claro que não arrefeci. Um pouco frustrada com o desinteresse, arremeti novamente.
-Então? D com A, como é que fica? D... Com... A... O que é que faz?
Naquele momento, a pobre criança fitou meus olhos com um sorriso faceiro e cruel e disse:

- ELEFANTE!!!

"Puxa, acho que nunca ouvi um ELEFANTE tão grande. Quase dava para ver o bicho. Seu enorme pé quase esmagou o meu e sua respiração forte arrepiou todos os meus cabelos. Este, com certeza, não é um erro normal. Uma simples troca de letras. E não devia ser tratado como tal. Era quase um grito, um alerta de que havia um desencaixe invisível. Algo que fugia a minha percepção. Mas, mesmo sendo atropelada pelo inesperado paquiderme, ignorei os verdadeiros sinais.


Não podia desistir assim de minhas obrigações materno-pedagógicas, por isso, insisti na empreitada de fazê-la enxergar a "luz da escrita". A esta primeira, seguiram-se várias outras tentativas de formar o "DA". Mas para que, se o elefante era tão mais incrível? Todas, naquele dia, foram absolutamente inúteis.

Os dias corriam, e a cada tarefa de casa ficava imaginando qual bicho sairia de lá. Acabou, na verdade, por não aparecer mais nenhum, mas, a cada tentativa frustrada, o bendito do elefante passava por perto, algumas vezes longe, mas sempre o suficiente para zombar de meus esforços.

Engraçado??

É, parece. Mas a obsessão da instituição em alfabetizar uma criança de cinco anos pareceu de alguma forma não trouxe boas consequências.
Com o  passar do tempo minha filha começou apresentar um grande estresse emocional, e aos cinco anos sentia-se incompetente por não conseguir fazer contas de subtração.

Depois de tanta insistência não recompensada, tive de admitir que, talvez, o método e principalmente o tempo etário para realizar o proposto não estivessem adequados. Resolvi, então, abrir mão das tarefas que pareciam inúteis, senão prejudiciais para o próprio desenvolvimento dela e mudei minha pequena de escola.
Afinal de contas sua maior preocupação aos 5 anos de idade deveria ser mesmo o tal do ELEFANTE e todos os outros seres de sua imaginação e todas as brincadeiras e peraltices que pudessem lhe proporcionar uma infância de criança de verdade. E não havia nada de errado com isso.
Terminamos o ano com a DEFORMATURA com direito à anel, beca e muitas crianças se coçando devido ao incômodo daquela roupa estranha. E um adeus grande e alegre despediu-se de nós e nos guiou para uma educação que sonhamos.